domingo, 14 de maio de 2017

CONHEÇA UM POUCO DA HISTÓRIA DE CANUTAMA

Por Manoel Inácio, pesquisa feita nas bibliotecas locais com textos compilados da internet



Vista aérea de Canutama
Pça. S. J. Batista
A conduta desses "coronéis nem sempre era condizente com os direitos humanos, mas alguns fatos ficaram na obscuridade até hoje.

Rio Purus: um dos dez
maiores rios do mundo
Talvez poucos se recordem, mas Canutama, assim como todo ou quase todo o Brasil, dependeu em muito da antiga "rede" Cobal, em termos de abastecimento de alimentos e produtos básicos. Sim, aquela rede de mercados que se situava na Av. Botinelly, lá pelos idos da década de 80, no mesmo local onde funciona hoje (ou funcionou) a Câmara dos Vereadores, não existiu somente em Canutama, mas em praticamente todo o Brasil. A Cobal, além de contribuir com a geração de emprego para uma geração inteira de canutamenses, abastecia a cidade e ficou gravada na memória de todos nós como uma verdadeira pioneira. Vale lembrar que naquela época, em meados de 80, quando era difícil montar um negócio, a Cobal contava com uma rede invejável, cobrindo até mesmo áreas quase intransponíveis como as cidades do rio Purus.RELIGIÃO


EDUCAÇÃO
São Marcelino Champanhat,
 fundador da Ordem dos 
Irmãos Maristas
   

TRANSPORTE

   
 
  
x
Canutama é um município brasileiro do Estado do Amazonas, considerado o terceiro maior município do médio Purus (atrás de Lábrea e Tapauá).
Durante os seus primórdios, recebeu várias denominações: em 1874, foi fundada com o nome de Nova Colônia de Bela Vista, e em 1891 passou a se chamar Vila de Nossa Senhora de Nazaré. Somente a partir de 1895 recebeu o nome pelo qual hoje o conhecemos: Canutama.




ORIGEM DO NOME DA CIDADE

Existe duas versões, uma considerada folclórica e outra de cunho mais científico.
A primeira, mais conhecida, contada pelos antigos moradores, provém de um fato que ocorreu durante a "viração" (temporada) de quelônios naquela região. Conta-se que um índio da região de Tapauá, município vizinho, viera para a atividade da "viração" e teria cortado o pé. Ao ver o que lhe tinha acontecido, ele teria exclamado "canut tamah"; expressão que, no dialeto indígena dele, significava "pé cortado".

A segunda, de acordo com o pesquisador e Irmão Marista, Sebastião Ferrarini, baseia-se na tradução do tupi-guarani onde 'canut' era uma antiga tribo indígena que habitou não só a região do Purus como outras regiões do Brasil e 'tamah' significa terra. Portanto, Canutama significa "terra dos canus". O fato de existir outra localidade com o mesmo nome no lado oriental da Amazônia, no Estado do Pará, confirmaria essa versão.

FUNDAÇÃO E POVOAMENTO
 
O povoamento e desenvolvimento do Município de Canutama confundem-se com o início das explorações e expedições no Rio Purus. Este um dos grandes afluentes do Rio Amazonas, começou a ser explorado no início da segunda metade do século XIX, tendo como pioneiros alguns coletores de drogas do sertão, muitos deles nordestinos.
O grande nome ligado à fundação do Município de Canutama é o de Manoel Urbano da Encarnação, embora muitos nomes, como o de João Cametá, William Clandles, Serafim Salgado e Frei Pedro Coriana também estejam correlacionados.
Segundo relatos de antigos moradores, Canutama ainda viveu na "época dos coronéis". Na verdade, eram homens de "confiança" dos exploradores, bravos o bastante para decidirem ficar nas profundezas da selva amazônica, distantes do mundo civilizado; às vezes, a viagem até a Província demorava meses. Em troca eles recebiam poderes de "coronéis".
Em Canutama, assim como no Brasil colonial, o "coronel" era uma figura múltipla. Concentrava, na prática, os três poderes: era, ao mesmo tempo, uma "espécie" de "prefeito", de "delegado", "juiz" e "legislador". Um "coronel" canutamense bastante lembrado pelo o povo local, e que inclusive dá nome à principal Avenida de Canutama, é o "coronel Botinelly".


O FUNDADOR MANOEL URBANO DA ENCARNAÇÃO E OS ÍNDIOS

Manuel Urbano da Encarnação era mestiço, porém bastante influente no Governo da Província (próximo a João Batista de Figueiredo Terreiro Aranha) e conhecido por sua consumada habilidade em explorar o Purus. Na época em que chefiou a sua expedição, sob a ordem de Terreiro Aranha, já viviam na região desse rio os índios Juma. E como ocorreu na Amazônia, de uma forma geral, o contato entre índios e não-índios foi inevitável e, como todos sabemos o extermínio de grupos indígenas, também.
Kroemer diz que, embora os Jumas fossem conhecidos como uma população dita "guerreira", "sempre defendendo o seu território e evitando um contato permanente com os não-índios", a sua população foi diminuindo drástica e proporcionalmente ao avanço da chamada "civilização". Um dos fatores que levou a isso foi a chegada de grandes levas de nordestinos para trabalhar no extrativismo, no Período Áureo da Borracha. O que ocorreu, a partir de então, foi um aumento do contato com os "brancos" e a diminuição de territórios indígenas. Sabe-se também que "expedições punitivas eram organizadas por firmas colonizadoras, por companhias de navegação e proprietários de terras" (Kroemer, 1986).


UMA TRIBO QUE NÃO ACEITAVA SER "AMANSADA"
Embora muitos canutamenses desconheçam, a região do Purus foi muito ligada a massacres de índios nos seus primórdios. É comum se ouvir relatos de pessoas mais antigas (avós, por exemplo) sobre esse assunto. Principalmente fatos ocorridos em afluentes do rio Purus, como o rio Cuniuá, rio Pauini e o rio Mucuim. Segundo o historiador Kroemer (1985:96), houve, no rio Mucuim, entre os anos de 1940 e 1965, um extermínio sistemático do grupo indígena que ali vivia: os Juma.
Alguns antropólogos acreditam que os Juma já fizeram, outrora, parte do grupo Tupi-Kawahib, "um povo que migrou para a região do rio Madeira no século dezessete". E que logo após uma ou duas gerações, um grupo formado por três mil índios saíram desse grupo para formar a sua própria tribo. Eles se denominaram Juma, enquanto as tribos vizinhas os chamavam de "Povo Gigante dos Pés Grandes".
Kroemer relata que moradores locais "conheciam" os Juma como sendo antropófagos e perversos. Há relatos de ataques de índios Juma a não-índios que causaram revoltas em Canutama. Em casos como esse, era comum a população local se organizar em grupos armados para exterminar os Juma. Por vezes, o delegado de polícia da cidade impedia tal ação. Inclusive, sabe-se de um relato de um grupo de peruanos trazidos a Canutama que efetuaram uma chacina no rio Jacaré. E ainda houve um juiz na cidade de Lábrea, por nome de Orlando Franca, homem de negócios, o qual ofereceu um "prêmio em dinheiro" para aquele que trouxesse "o maior número de orelhas de índios Juma". Conta a história que neste mesmo ano um grupo de 35 caçadores, autodenominados "o Batalhão da Vingança" marcharam em busca dos últimos assentamentos Juma. Fatos como esse foram noticiados até mesmo no “Los Angeles Times”.
De acordo com Kroemer, o etnocídio definitivo ocorreu no ano de 1964, no igarapé da Onça. Pouco antes disso, chegou a Canutama missionários do SIL-Summer-Institute of Linguistics. No final da década de 70 eles formalizaram denúncia, pelo o Jornal Porantin, definindo o que ocorrera em Canutama como "genocídio".
Pelo o que parece, caiu tudo no esquecimento. Não se ouve falar sobre esse assunto em Canutama.
Hoje ainda temos índios vivendo em áreas do município, como os índios Catawixi, os quais vivem na área de influência do rio Mucuim. Sabe-se também que entre os municípios de Pauini, Tapauá, Canutama e Lábrea, consta a presença de mais sete povos, entre eles os Suhuarás, "o Povo do Veneno”. Homens como Gunter Kroemer, antropólogo, indigenista, membro do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), lutam pela sobrevivência dessas populações.



CANUTAMA ENVIOU HOMENS PARA 2ª GUERRA MUNDIAL 


Embora poucos canutamenses saibam, o município contribuiu com homens, os quais se integraram ao exército brasileiro e aos Aliados para salvar o mundo livre durante a Segunda Guerra Mundial. Hoje, muitos dos moradores do município são descendentes de "veteranos".
Até a algum tempo atrás, era comum se ouvir estórias desses bravos homens; homens que não tinham vergonha de demonstrar o orgulho de ter servido o seu País. Entre eles, pode-se citar o Sr. Lázaro Freitas e o Sr. Valdemar da Costa. Todavia, foram muitos.
Em se tratando de patriotismo, duas coisas são lamentáveis em Canutama: uma é que nossos "veteranos" tenham caído no esquecimento. Segundo moradores, não há memórias de que o município tenha prestado ao menos um "obrigado" a eles, inclusive na história recente. A outra é que não existe um quartel, base ou qualquer posto do Exército Brasileiro na cidade. Os poucos jovens que desejam "servir" são obrigados a se deslocarem até os municípios vizinhos de Lábrea, Humaitá, ou para a capital Manaus, onde existem quartéis. Caso contrário, são "dispensados por excesso no contingente".
O interessante é que este "contingente" é o do município de Humaitá, que "absorve" os seus jovens, e, somente se "sobrar" vagas, recruta os jovens de Canutama.
De acordo com alguns "veteranos", o "contingente canutamense" partiu em um navio-motor (alguns dizem ter sido o navio "Jota Leite") e chegou a Manaus. Já na capital, eles teriam passado por treinamentos e adestramentos, como tiro ao alvo e outras técnicas. Como a guerra já se aproximava do fim, quando partiram, o mais próximo que chegaram do "olho" do conflito mundial foi até a Guiana Francesa, para de lá embarcarem em navios e atravessarem até a África. O que, de fato, não ocorreu.
Um dos veteranos, o Sr. Lázaro Freitas, contava que a vida na caserna (habitação de soldados) era "difícil" e "solitária" e que costumavam receber "poucas" correspondências de suas esposas e família em Canutama-as quais chegavam pelo o navio-motor Jota Leite.
O navio Jota Leite, muito conhecido entre os antigos moradores e desconhecido pelos recentes, tornou-se um pioneiro na navegação de cabotagem pelos rios da Amazônia, especialmente o Purus. Moradores antigos relatavam que o "velho" Jota Leite era um dos únicos que subiam o Purus e iam até Canutama, encurtando as distâncias, levando cargas, passageiros e mantimentos, e tirando centenas de pessoas do isolamento amazônico. Hoje, o que parece ter restado dessa companhia de navegação é um pequeno porto situado às margens do Rio Negro, no bairro de São Raimundo, cidade de Manaus.

SAÚDE
 
Pode-se dizer que Canutama sempre contou com uma boa estrutura em termos de baixa e média complexidade em saúde. O estabelecimento de saúde presente na cidade, a Unidade Mista de Canutama, CNPJ 00697295005085, e cadastro no CNES 2016419, do Ministério da Saúde, é uma personalidade jurídica, do tipo hospital geral e da esfera administrativa estadual.
Trata-se de um hospital de média complexidade, que conta com dois leitos para ginecologia, sete leitos para Clínica Geral, três leitos obstétricos e quatro leitos pediátricos. Conta com serviços especializados, pelo SUS, como o Serviço de Diagnóstico por Imagem, o Serviço de Diagnóstico por Laboratório Clínico (bioquímicos, coprológicos, hormonais, genética, uroanálise, líquidos biológicos, hematológicos, imunoematológicos, microbiológicos, toxicológicos, radiologia) e Serviço de Urgência/Emergência. A Unidade também tem capacidade de atender pacientes de hemoterapia a nível ambulatorial.
O fluxo de clientes decorre do atendimento de demanda espontânea, ou seja, da sede da cidade, bem como da zona rural do município.
Quando deparado com problemas de saúde de alta complexidade, os pacientes são encaminhados para a capital Manaus, ou, às vezes, para municípios vizinhos, como Lábrea, inclusive Porto Velho (RO).
A Unidade Pública passou alguns anos funcionando "do jeito que podia", com locais e instalações improvisados. No entanto, há alguns anos ganhou "cara nova", tornando-se uma das unidades mais bem estruturadas de todo o interior do Amazonas.

ECONOMIA

Uma economia típica de cidades do interior

Como a grande maioria dos municípios brasileiros de pequeno porte, Canutama depende muito da sua Prefeitura para a sua sobrevivência. Muitos dos seus moradores com poder aquisitivo, e que fazem a economia da cidade "girar" são funcionários públicos. As raras exceções vem de pequenos empreendedores que chegam à cidade, montam negócio e conseguem se estabelecer. Exemplo dessa exceção são os chamados "marreteiros" (pessoas que, em regatões ou navio-motor, chegam aos municípios ribeirinhos e aproveitam a temporada anual de festejos para vender os seus produto-produto roupas, calçados e outras novidades). Até a algumas décadas atrás, Canutama dependia quase que inteiramente desses "empreendedores" para conhecer as "novidades" que surgiam no mundo, especialmente em termos de moda.
Outros que fazem a economia da cidade girar são os funcionários do Estado, especificamente os professores e os profissionais da saúde. Além destes, há pequenos empreendedores locais (mercados, lanches, bares etc.), agricultores, com o plantio de mandioca, abacaxi, cana-de-açúcar, feijão, milho, banana, abacate, laranja, limão etc.

AGRICULTURA

Geralmente as plantações que subsidiam a cidade estão localizadas ao longo do Rio Purus, mais precisamente próximas às praias. Se bem que há uma região onde essas plantações se concentram: os canutamenses a chamam de "varadouro", ou "tuchaua", ou ainda "seringueiro".
O "varadouro" é uma pequena estrada que, partindo do centro da cidade, se estende até uma região de mata densa, fragmento da floresta original onde ainda pode-se encontrar espécies nobres como o mogno e também muitos lagos de água preta e igarapés. É especialmente nesse lugar que é produzida a maior parte da farinha de mandioca que abastece a cidade.
Quase tudo o que o município produz, em termos de agricultura, não se destina ao comércio, mas ao consumo das famílias, ou seja, não tem significado econômico.

PESCA

Em termos de pesca, o Rio Purus é um dos mais abundantes da bacia amazônica, concentrando grande variedade de peixes, como pirapitinga (Piaractus brachypomus), pacu (Mylossoma spp.), mapará (Hypophthalmus spp.), jaraqui, surubim, sardinha (Triportheus spp.), matrinxã (Brycon spp), dourados, aruanã (Osteoglossum bicirrhosum), pirararas, mandii (provavelmente, o mais conhecido do povo local, embora muito pouco se ouça falar dele fora da cidade), acari-bodó, tucunarés, acarás, tambaquis etc.
Assim como na agricultura, atividade de pesca em Canutama não possui significado econômico.
Uma verdade precisa ser dita: Canutama sempre dependeu em muito do "seu" Rio (Purus) para o seu desenvolvimento e sobrevivência. Pode-se dizer que é uma relação bem parecida com aquela que a região do Crescente Fértil, no antigo Egito, possuía com o Nilo.

COMO EM TODO O BRASIL, A "COBAL" ESTAVA PRESENTE


O RIO PURUS
Como já se dissemos, Canutama fica às margens de um dos maiores rios do Brasil e do mundo: o Purus.
O Purus constitui praticamente uma bacia, onde nos municípios da sua calha recebe vários afluentes e confluentes. No município de Boca do Acre - Lagos da Santana e Anuri, Igarapé Natal e rio Inauini; no Município de Lábrea - rios: Acimã, Tumiã, Ituxi, Sapatini e Paciá; no município de Pauini - rios Pauini, Teuini e Inauini; no município de Tapauá - lago do Aiapuá e rio Ipixuna; e no município de Canutama - rio Mucuim e Ipixuna. 
 
CULTURA

Para Aqueles que Trocam Tudo pela Tranquilidade

Hoje, quando se fala em cultura, uma das primeiras palavras que se vem à mente é "entretenimento". Portanto, logo pensamos em cinemas, teatros, casas noturnas, shopping centers, estádios de futebol, etc. Em outras palavras, diversão total. Entretanto, algumas pessoas preferem um ambiente mais calmo, pacato... E Canutama é esse lugar.
A cidade ainda é símbolo de tranquilidade, lugar de pessoas de espírito calmo, acostumadas a ter contato com a mãe natureza, a trabalhar duro e conquistar as coisas com o "suor do rosto". Lugar onde se pode planejar uma boa pescaria, um bom passeio pelos rios, pelos igarapés, pelos lagos e praias fluviais de areia branquíssima, fazer um "tour" pela selva, pelas inúmeras casas de farinha na beira do lagos, nas margens do rio Purus, visitar comunidades ribeirinhas; andar de bicicleta sem ter a preocupação de ser "atropelado" etc. Lagos de água preta, fazendas embrenhadas nas matas...
No entanto, para quem gosta de agitação também há espaço, pois a cidade conta com danceterias, bares, campos de futebol, quadras poliesportivas, praças etc.
No município, o pico da agitação ocorre durante os Festejos de São João Batista, padroeiro da cidade, que acontece no mês de junho.
Durante um período de quase um mês, a cidade é agitação total, bem semelhante ao que acontece com a cidade de Parintins por ocasião da festa do Boi Bumbá, só que em proporções bem menores. É quando chegam à cidade, os tradicionais marreteiros, muitos visitantes, convidados, atrações artísticas e musicais, e, principalmente, os canutamenses espalhados pelo Brasil a fora, que há muito não visitam a terra natal.
 
Canutama é uma "cidadezinha do interior". E, como diz a música do Padre Zezinho, "um lugar aonde a religião ainda é importante. Lá se alguém passa em frente da Matriz, se benze, pensa em Deus e não sente vergonha de ter fé".
Talvez uma das explicações para esta "veia de fé" seja o fato de padres católicos terem ajudado a "explorar" e "fundar" cidades no rio Purus. Um processo de evangelização bem parecido com o que ocorreu no Brasil Colonial, onde missionários se embrenhavam na selva com o objetivo de levar a "fé cristã" aos índios.
A Igreja Católica tem, em Canutama, um dos templos mais lindos de todo o estado do Amazonas, o qual, além de sua bela arquitetura, encanta pela a sua cuidadosa preservação. Além do mais, é privilegiado por uma localização esplendorosa: a praça da cidade, ornamentada por lindos e frondosos pés de jambeiros, plantados em 1976, segundo o Sr. Curió, por alunos da antiga Escola Marista Eduardo Ribeiro (hoje ela é estadual), quando o ensino formal dava os seus primeiros passos nesta cidade. Nesta mesma praça encontra-se a Escola Estadual Eduardo Ribeiro, o Hospital e a Prefeitura. Na verdade, a igreja conta com uma estrutura magnífica.
A Igreja Católica conta também com outras capelas espalhadas pela a cidade, como as situadas nos bairros São Pedro, São Francisco, N. Sra. Aparecida e a capela de Sta. Rita, na Rua nove de agosto, que constituem as chamadas Comunidades Eclesiais de Base, CEB'S.
Há também várias denominações evangélicas. Umas tendo chegado recentemente, como a "Deus é Amor", "Igreja do Deus Vivo", "Adventista do 7º Dia" etc. e outras, que chegaram há mais de 40 anos. Entre elas a "Igreja Evangélica Batista Regular" (a primeira igreja evangélica a chegar) e a "Igreja Evangélica Assembléia de Deus".
Anualmente, no dia 24 de junho, a Igreja Católica em Canutama celebra os Festejos de São João Batista. Chegam pessoas de vários lugares, principalmente da capital Manaus - lugar onde moram muitas pessoas que tem como cidade natal o município de Canutama - para se juntar aos canutamenses "em procissão pelas ruas da cidade". A procissão parte da matriz passa por várias ruas, cantando, carregando a imagem de São João Batista, e, já pela noite, chega de volta à igreja.
Há também a data de 29 de junho, dia de São Pedro, a qual conta, assim como em muitas cidades do Brasil, com procissão em embarcações.
Algumas igrejas evangélicas, como a Assembléia de Deus, também "celebram" suas festas. É comum chegarem outros membros das igrejas sediadas nos municípios vizinhos, como Tapauá e Lábrea, a convite da s igrejas locais. A festa conta com um tema, dura cerca de três ou quatro dias e, geralmente, fica sob a responsabilidade de algum segmento da congregação: jovens, senhoras, senhores, adolescentes etc.


Falar de educação no município de Canutama é falar de "Irmãos Maristas". É entrar no mundo desta ordem de corajosos missionários e conhecer a abnegação e a denodada contribuição que deram à cidade, assim como a incomensurável herança que nela deixaram: o Saber.
E mais uma vez, caso alguém não conheça a história e o início da educação formal em Canutama: é impossível falar da educação na cidade sem falar de Irmãos Maristas. Isto é, sem falar de Irmão Edmundo Inácio Pina, Ir. Lauro, Ir. Pedro, Ir. Normando, Ir. Itamar, Ir. Ricardo, Ir. Demétrio, Ir. Zenóvio, Ir. Guilherme Bertassi, Ir. Bené Oliveira e muitos outros e outros, os quais largaram suas vidas e famílias muito bem estruturadas lá pelos rincões do Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina (a grande maioria deles provinha do Sul), São Paulo e outros estados do Brasil, para, nas profundezas do Amazonas, realizarem uma obra sem paralelo: educar.
Os meios de transporte para se chegar até a cidade de Canutama são as vias fluviais. Este é um dos pontos mais comuns nesta região. Os barcos são de boa acomodação (rede ou camarote) dependendo do que a pessoa queira. Se quiser um conforto para aproveitar o lazer, poderá optar por um camarote. Os Barcos que fazem linha para o Purus com destino até Lábrea são: Lindalva Maciel, Manoel Silva, Cidade de Lábrea, COMTE Maia I e II, Rio Uaquiri, Vovô Oswaldo e outros. A duração em média dessa viagem é de 04 a 05 dias, mais se você quiser encurtar a viagem, poderá ir de avião (em média 2 horas).

 

A GRANDE AV. BOTINELLY

A Avenida Botinelly, a principal da cidade de Canutama, se estende do porto até a frente da prefeitura. Não é a maior (dá para visualizar através de imagens de satélite); porém, é a mais larga; é onde estão concentrados os principais comércios da cidade, importadoras, hotéis, distribuidoras, lanches; nela estão situadas a Unidade de Saúde (hospital), a Câmara dos Vereadores, a Secretaria de Educação, inclusive o "centro do Poder": a prefeitura. Esta avenida foi provavelmente a primeira a ser construída e "asfaltada" na cidade.
Uma curiosidade, já citada, é que ela começa no porto e termina na sede da prefeitura. Ela é também cortada por um igarapé. Isso fez com que fosse construída uma ponte, a qual os canutamenses, carinhosamente, chamam de "ponte larga".

UMA 'MINIATURA' DO CRISTO REDENTOR


Bem no centro da Praça de Canutama há erguida uma imagem de aproximadamente uns 4 metros de altura. Os canutamenses referem-se a ela como "a estátua". Na verdade, é bem parecido com o Cristo Redentor do Rio de Janeiro, só que em dimensões bem menores. Há degraus ao redor, a imagem está de braços abertos, vestida com uma espécie de túnica e com uma placa de sua fundação, época em que o Sr. Francisco Belmino Pontes era o interventor que governava a da cidade.







E A IGREJA ASSEMBLÉIA DE DEUS "RACHOU"


A Igreja Assembléia de Deus em Canutama, assim como em muitos municípios do nosso estado, hoje é dividida em "Assembléia de Deus no Amazonas" e "Assembléia de Deus Tradicional". Isso porque, a partir do ano 2000, ocorreu um "racha" na denominação Assembléia de Deus no Amazonas, tendo o seu epicentro na cidade de Manacapuru. Houve, inclusive, disputa na Justiça para decidir quem ficava com o templo, que, aliás, é considerado por muitos como sendo o de arquitetura mais bela do Amazonas.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Rio Purus começa a vazar, mas Solimões e Negro ainda estão enchendo

As águas começaram a baixar em Canutama a cerca de uma semana atrás e as pessoas estão fazendo a "desmudança", que é o retorno às suas casas, invadidas pelo rio Purus durante cerca de dois meses.

Mas os problemas só estão começando, a enchente deixa um rastro de prejuízos aos moradores que perdem seus móveis, que não precisam ficar necessariamente submersos para estragar, a umidade se encarrega disso.   Algumas casas precisam de pequenas reformas pois a força da água corrente destrói as paredes.

Enquanto os moradores de Canutama sentem um certo alívio, as cidades do Solimões e Negro ainda esperam pelo pior e já dá pra contabilizar os prejuízos a nível de Amazonas, conforme matéria do dia 5 de maio da  edição online do jornal "A crítica" de Manaus. Leia abaixo:

Produção rural do Amazonas sofrerá prejuízo de R$ 33 milhões com as cheias dos rios

 Há  pouco mais de um mês para o ápice da cheia, o Amazonas já contabiliza R$ 33,6 milhões em perdas produtivas dos setores de agricultura e pecuária em função do aumento do nível das águas. A informação foi divulgada ontem pelo Instituto de Desenvolvimento Rural e Florestal Sustentável do Amazonas (Idam).

Até o final de abril, segundo o Levantamento de Perdas Agrícolas da Produção Rural da Cheia de 2015, elaborado pelo órgão, 5.565 famílias distribuídas em 21 municípios já foram afetadas. Conforme o levantamento, estão em situação de emergência, seis municípios na calha do Rio Juruá (Guajará, Ipixuna, Envira, Eirunepé, Itamarati e Carauari) e mais quatro – Lábrea, Canutama, Pauini e Tapauá – na calha do Rio Purus.

 No Alto Solimões, estão em situação emergencial, Benjamim Constant, Tabatinga, Atalaia do Norte, Amaturá, Santo Antonio do Içá, São Paulo de Olivença e Tonantins. O município de Boca do Acre está em estado calamidade pública e os municípios de Tefé, Anamã e Manacapuru, no Médio Solimões, já apresentaram as primeiras perdas.

Até o momento, a produção de farinha de mandioca foi a mais atingida, com perdas de 4, 8 mil toneladas e prejuízos de R$ R$ 19,3 milhões. Em segundo lugar na lista de perdas está o cultivo da banana com R$ 8,1 milhões e, em terceiro, as hortaliças representaram 1,3 milhão em perdas produtivas.

 

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Enchente 2015

O nível das águas do rio Purus subiu nos últimos três dias e começou a alagar as principais ruas da cidade. Veja fotos tiradas neste domingo:



Av. Botinely
Av. Benjamin Constant







Fotos do porto
Veja fotos atualizadas semanalmente